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29/11/2011

Olhos



Olhos

Nem a luz de mil luzes
Nem a divindade de mil cruzes
Nem a alegria de mil vidas
Nem a poesia de mil rimas
Nem a beleza de mil cores
Nem a pureza de mil flores
Nem a relíquia mais protegida
Nem toda a perfeição comprimida

Seus olhos são a própria
razão de morrer,
e por vontade renascer,
só para doar a mesma alma
e numa breve e pálida palma
a mais bela criação rever

09/10/2011

O Funeral

Tenho uma estima por contos. Tenho uma estima maior pela quem sabe ou sabia escrevê-los.
Esse conto é de 16 de Junho de 2008 com algumas modificações. Eu lembro bem que a ideia era ser um conto de terror e alguém me disse para melhorar a retórica. Talvez um professor, ou foi um conhecido chamado James, talvez Deus...quem sabe.




 O Funeral


Seguia uma aglomeração. As pessoas passando pelas praças, pelas portas, pelo padre, aproximando-se compassadamente ao cemitério. A ritualística do enterro em contradição ao sentimento do fim do Fim. Do não querer o fim. O funeral representa bem a necessidade humana de simbolizar, de publicar à todos e à Deus. A morte, temida, clássica, tão relativizada e conceituada, desprezada e superestimada, amada, assassinada; o Funeral, em sentido amplo, temido por alguns, adorado por outros, mas respeitado por todos.
A Paróquia acabara de criar o programa contra violência doméstica e ali estavam as rosas brancas no esquife, simbologia para todas e todos que partiram desta vida para os braços do Pai em razão do erro agressivo e assassino de seus entes.
E ela esperou todos irem... Talvez não. Decaída, estava lá por não conseguir andar. Seu lenço de bordado inconfundível, molhado com a água e o sal produzidos por seu corpo. Seu corpo... Seu corpo seria confundido por qualquer anjo que observasse de cima das nuvens, convenientemente cor de cinzas, com os cadáveres daquela montanha. Os corvos estariam cometendo erro escusável se dali para o mundo dos mortos levasse a alma daquela garota. Talvez sua estadia mórbida de horas imaginando o cadáver ali enterrado no esquife sem mogno, sem ouro, sem marfim ou seda, revelasse essa vontade. É realmente uma pena que os corvos trabalhem bem.
O padrasto havia matado a mãe com uma facada no pescoço, certeira e única, como que agraciado pelo divino por tentar tão belo golpe contra sua amada. Bêbado e drogado, mas realmente desejando aquilo, em tamanha potência que alguns demônios sentiriam pena, e os restantes se curvariam. Ela abraçou as rosas entre as pernas e sob sua cabeça. A coruja, conhecedora do seu lar, observava uma sombra ainda que na escuridão, ainda que no pouco contraste com a terra lavada pela chuva: "Levante, vamos para casa".
"Bom dia, meu amor". Um beijo. Uma cama. Uma casa. Uma vida? Nada era dela. Estranhou como tudo era alegre e ordeiro, inesperado devido aos últimos eventos, e ao acordar percebeu em sua memória um mês em um mundo que não era seu. "Bom dia, meu amor". "Cheguei". Era a vida perfeita para ela.
Sua irmã lhe fez uma visita e enquanto preparava almoço ela viu que conversava com o homem. Tentou ao longe ler entre os lábios deles o que saía de um para outro, pois nunca haviam demonstrado tamanha proximidade, mas eram os olhos deles que falavam mais. Ela viu alguma coisa, entendeu como sensações, não quis pensar sentimentos. Algumas horas de conversa. Ela foi embora.
Um mês no seu mundo em que tudo era bom, mas no dia seguinte ele não voltou. E sim, ela esperou. Esperou incondicionalmente. Mas não resistiu, não perderia perder aquilo tão fácil. Apanhou uma faca. O céu se abriu para que a lua refletisse em seus olhos, forçando os músculos ciliares, contraídos pelo ódio, relaxarem e deixarem cair a lágrima da vingança. Foi à casa da irmã única. Estava dormindo. Num só golpe desenhou a morte ao pescoço dela. Deixou seu lenço. Devagar, saiu da casa, foi para o cemitério, escondeu-se com a ajuda de sua amiga coruja e por horas esperou.
A aglomeração estava lá. O mesmo ritual, o mesmo símbolo. Esperou todos irem embora. Esperou a noite. Viu as rosas brancas e abriu um sorriso. Não, não havia matado por ciúme. É que ela precisava das rosas. Abraçou-as como abraçaria o amor em objeto, com fé, esperança! Foi quando o céu riu e ele não apareceu. Decaía-se novamente, a chuva queimava seu cabelo e ela pôs a cabeça entre as pernas como da outra vez. Por Deus, era a mesma vez. "Levante, vamos para casa", a irmã a ajudava a levantar.

06/10/2011

A Sociedade da Máscara


Introdução Máscara


A Máscara é. O Condicionamento também é. A verdade não é porque a probabilidade pode ser. A Máscara é não usar dois verbos, e sim um. É ser, estar, poder e não poder ser, poder estar, estar podendo; O que se diz ser ausência de Máscara na verdade é uma, pois a Máscara também é não ser. A capacidade de por Máscaras é contraditória: racionalizar a própria vida, psiqué e sociedade para ser, se for conveniente, parece não ser, mas é condição ser verdade para ser Máscara; uma imitação não é uma Máscara devido a mentira e a fraqueza que esta trás. A mentira pode ser uma característica da Máscara, mas esta não é, nem pode ser.

Um amigo próximo me permitiu usá-lo como exemplo, ele tentou deveras definir sua Máscara, ou o que gostaria que ela aparentasse. Chama-se Dellacróix:

Suicida

Sou um poeta pétala laminada
que emana os odores da morte.
Uma cova ao inferno diante da estrada
ligando o amor à pura sorte


Sou um poeta noturno de alma negra
e em mim reside minha própria lua.
Em formato de dama ela regra
as rimas da poesia mais nua


Que tormenta minha lua já não passara
em mim, fiel ao ermo e às rimas se solicitada?
É que sou um poeta cuja máscara disfarçara
a mentira mais real bem dilatada:


Que sou um poeta espírito puro
de coração feito de pedras da lua.
Eu, sim, corro ao nadar nas ruas
a procura do calhau mais duro


para num golpe último, seguro de vida,
minha lua voltar ao lugar que lhe merece
e falar à eternidade que nunca esquece
aquele poeta máscara suicida

22/09/2011

O Tribunal de Osíris



Eu vejo Deuses segurando a eternidade
E almas gritando por vida;
A vontade, a vaidade, a vinda e a ida.

Desde aquele Faraó
Eu vi na morte
a sorte de ser humano,
mas só há pouco tempo
vi que nem tento
para encontrar um herói.

Maat, eu rio ao saber
que teu sangue é banquete
para Têmis;
Não temo a tua sala,
a minha tem mais verdades;
Diria no mínimo quarenta e duas...
e nada lhe devo,
se nem de seu coração
sente saudades.
Osíris, já o seu,
será dado a meu Dragão
que troquei por aquele livro velho.

Sabem onde me encontrar,
têm o tempo de sete eternidades,
mas pena da justiça e psicostasia
me serve agora
para escrever esta pequena poesia.